a casa do samba

Você pediu e a Casa do SambaAqui ouviu: Domingo é dia de samba! Por esse motivo voltamos às bases, recorremos às nossas raízes, às origens, voltamos pro meio do povão e convidamos você à participar da Roda de Samba Aberta. Traga seu instrumento, confira nossas promoções especiais super populares, pague o quanto puder na entrada e venha brincar conosco! Início da roda: 19h. Abertura da Casa: 18h. Aulas de dança de samba no pé nos intervalos.

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A História do Samba em Florianópolis

Por Artur de Bem

É plausível achar que o samba em Floripa existe desde 1857, quando foi instalada a Escola de Aprendizes Marinheiros na cidade. Marinheiros de vários locais do país vinham para cá para a Escola.

Com seu breve fechamento para mudança de local, os que se alistavam na Marinha tinham que ir ao Rio de Janeiro para fazer o curso. Nessas idas e vindas, traziam, também, parte da cultura que aprendiam lá. Entre elas, o samba.

A Escola de Samba mais velha em atividade é a Protegidos da Princesa, fundada em 1948. Antes dela já haviam outras escolas e outros blocos, mostrando que o samba em Floripa existe há mais tempo. Mesmo havendo tão pouco registro.

Mesmo antes de existirem as escolas de samba, Florianópolis recebeu o flautista Patápio Silva, vindo do Rio de Janeiro. Patápio tocava choro, um gênero musical primo do samba. Vivíamos o longínquo ano de 1907.

Muito possivelmente poucos florianopolitanos conheciam a música de Patápio, pois, ainda não havia rádios no Brasil e poucos tinham acesso a discos gravados.

Somente 20 anos depois, em 1927, temos registros da vinda de outros músicos do Rio de Janeiro para Florianópolis. Eram Os Batutas classificados por alguns autores como “jazz band”. O grupo era formado por Pixinguinha (flauta e sax), Donga (violão, banjo e cavaquinho), Aristides Júlio de Oliveira (bateria), Alfredo de Alcântara (pandeiro), Ismerino Cardoso (trombone), Bonfíglio de Oliveira (piston), Mozart Corrêa (piano), João Batista Paraíso (saxofone) e Augusto Amaral - o Vidraça (ganzá). O grupo voltava de uma excursão pela Europa e apresentou-se no Teatro Álvaro de Carvalho, no Centro, com um repertório de sambas, marchas, emboladas, maxixes, choros e jazz.

Em 5 de junho de 1932 o grupo Azes do Samba também vem do Rio de Janeiro para tocar no Cine Ritz, que ficava na Rua João Pinto (quando o Cine Ritz parou de operar, ele funcionava na Rua Arcipreste Paiva, ao lado da Catedral Metropolitana). O grupo realizou quatro apresentações em um único dia e era formado: pelo “Rei da Voz” Francisco Alves, Mário Reis (voz), Nonô (piano), Peri Cunha (bandolim) e Noel Rosa (violão). Sim! Noel Rosa esteve em Florianópolis! E dizem até que ele bebeu umas cervejinhas no bar do João Bebe Água, atual Bar do Miltons, no calçadão da João Pinto.

Três apresentações relativamente importantes para a história do samba em Florianópolis. Todas elas antes ainda de qualquer registro de escolas de sambas de Florianópolis.

A primeira gravação de um disco no Brasil, segundo o pesquisador Adilson Santos, foi feita em 1901 na cidade do Rio de Janeiro, e de acordo com o livro Caros Ouvintes (2005), a primeira emissora de rádio brasileira, também foi fundada no Rio de Janeiro, em 1923, a Rádio Sociedade. O livro, focado na história do rádio em Santa Catarina, relata que, no estado, a primeira rádio foi a Rádio Clube de Blumenau, fundada em 1936. E em Florianópolis a primeira foi a Rádio Guarujá, fundada em 1943.

Ainda segundo o livro, em 1949 estreava em Florianópolis, na Rádio Anita Garibaldi o programa “Gentleman do Samba” apresentado pelo músico e compositor Zininho, que mais tarde tornou-se um renomado compositor, e autor do hino de Florianópolis, “Rancho de Amor à Ilha”. Alguns anos depois, Zininho passou a apresentar o programa “Bar da Noite” na rádio Diário da Manhã. Os programas eram apresentados ao vivo, em auditório, com sorteios de brindes. Antes, os florianopolitanos ouviam os sambas das rádios do Rio de Janeiro, capital federal na época.

O rádio era a melhor forma de aprender os sambas. Ademais, o público não teria outra maneira de ouvir com frequência as músicas e os músicos cariocas. Talvez com um ou outro disco, mas a grande maioria dos relatos indica o rádio como o grande meio difusor deste gênero musical.

Até surgir um programa específico de samba local, o que se ouvia eram os cantores do Rio. Cantores e compositores, sambistas, que influenciaram o país inteiro. Em Florianópolis não foi diferente. A audição de sambas nas rádios fez surgir o interesse em algumas pessoas a fazer samba também. Reproduzindo da forma como eles soubessem. Tocar os instrumentos da forma como eles achassem melhor.

Como disseram Carlos Raulino e Jandira, então produtor e cantora do grupo Um Bom Partido (criado em 1997), no documentário “Ali na Esquina”, de Graziela Storto e Rita Piffer (2005): “A gente ouvia os discos e tentava reproduzir. Como era o certo, se batia assim ou assado, a gente não sabia, mas a gente ia tocando”. É assim que surgiam os primeiros compositores, cantores e instrumentistas.

A primeira geração de músicos, os que vieram do Rio de Janeiro trazendo os instrumentos, os sambas e as formas de tocar, incentivou os que criaram as escolas de samba Protegidos e Copa Lord, e serviu de incentivo para os que viam as rodas de samba e tinham interesse em participar dessas confraternizações.

Desse misto de marinheiros, músicas ouvidas nas rádios, escolas de samba, surge o samba em Florianópolis. Inúmeros batuqueiros, violonistas, cavaquinistas, compositores, cantores, grupos.

O samba na nossa Casa começou como quase toda roda de samba: Uma roda de amigos que ganhou fôlego e apreço, mas não perdeu a essência. Esta roda de amigos passou a ensaiar em um palco recém construído e ansioso por receber seu primeiro show. Estamos falando do ano de 2013, quando ainda nem a bruxa Firinfinfélia, nem o boi tatá ousavam descer estas escadas para curtir essa festa.

Um ano depois, em 2014, estes amigos seguem o sonho de promover música e cultura dando oportunidades àquelas outras bandas e músicos que produziam magia cantada na ilha e que ansiavam por mostrar o seu trabalho. Assim surgem os dois principais projetos desta Casa, que futuramente virou pub.

Desde 2013 diversas bandas, cantores, instrumentistas e compositores do samba catarinense vieram conhecer os palcos da Casa convidados pelo projeto “Samba de Raiz na Casa do SambaAqui”, Até 2016. Foi quando o projeto enfrentou o seu primeiro grande recesso e passou por diversas mudanças. A reestreia aconteceu no dia 08/01/2017, onde o nome do projeto mudou de “Samba de Raiz” para “Roda de Samba da Casa” e inovou trazendo elementos das rodas de pagode e partido alto cariocas. Com uma banda residente que possuía raízes nos batuques africanos e nas baterias das escolas de samba da ilha, foi um sucesso durante todo o ano de 2017. Passou por muitas modificações (formação da banda, dia, horário, promoções, entre outros), entrando definitivamente em recesso no mês de outubro de 2017.

Começavam os preparativos para a maior metamorfose deste projeto. Metamorfose esta, que estava prevista para ser revelada no começo de novembro mas foi postergada até janeiro de 2018, quando saiu da incubadora para o palco mais querido dessa ilha. E chegou nas mãos de ninguém menos que Wagner Segura.

Surgiu assim, o projeto: “Do Choro ao Samba com Wagner Segura”, que acontecia nas sextas feiras, às 21:30, com a proposta de reconstituir a ideia do choro e suas vertentes. Wagner convidou grandes músicos já consagrados nas rodas de samba e choro da ilha e também revelações escolhidas a dedo pelo artista para subir ao palco. O projeto teve sua festa de encerramento em 26/10/2018, quando Wagner teve que viajar para cumprir com seus outros objetivos pessoais.

No mês de dezembro de 2018 a Casa do SambaAqui ouviu você: Voltamos às bases, recorremos às nossas raízes, às origens, voltamos pro meio do povão e convidamos você à participar da Roda de Samba Aberta, que acontece aos domingos às 18h. Uma roda de samba descontraída e totalmente aberta para que qualquer um possa participar. 
Comandada por músicos conhecidos da Casa, alguns dos quais já faziam samba aqui desde antes de existirmos formalmente, e inclusive na inauguração, como Bernardo Cunha e Mirella Calixto, percussionistas de mãos cheias, com origens nos terreiros de religião de matriz africana e escolas de samba, respectivamente. Fechando o time da percussão, Kiki, pandeirista de choro e samba, morador de Sambaqui, músico da Casa há algum tempo, desde o início do projeto Do Choro ao Samba. Nas cordas oficiais, segurando a roda, o multi-instrumentista Thiago Larroyd, que toca cavaquinho, violão, bandolim, até berimbau, se bobear. No trombone, o grande Aurélio Martins, que se juntou ao time da roda no começo de 2019, mas que já faz samba em Florianópolis desde meados dos anos 70. Esta é base da nossa brincadeira, mas ainda precisamos de você, com seu instrumento. Venha e participe da roda. Ela também é sua!

É o samba na sua forma mais natural, a roda, na essência. Democrática. E com todos os elementos. Inclusive a dança. 
No intervalo pro banheiro da roda, acontece a, também tradicional na Casa, aula de dança de samba de gafieira.

O cardápio também atrai a atenção, com aperitivos a precinhos camaradas para encher a barriga do pessoal. E junto com a comida, a bebida. Promoções especiais super populares, pague o quanto puder na entrada e venha brincar conosco!

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